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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Menina Moça inocente, mas obediente...

    Aos quatorze  anos, ganhei um  beijo...Um  beijo inesperado, de  um  carinha  muito  alto, mais velho que   eu, primeiro tocou um hino  pra me provar que  ele  tinha  um  dom.... depois riu debochadamente...  Foi na  cruz,  foi  na  cruz,  dizia  o  hino...  Me debochou por eu ser crente, me chamou de dona biblia...bom isso pra mim , nao fazia sentido algum.
    Eu fui  criada  numa  igreja  tradicional, onde  a  escola  domical era  ensinada com  muito  teatro e  atençao.  Era  levada pela  minha  avo  Carlotinha  e  o tio  Agenor, na  velha  brasilia vermelha...  Vo,  eu nunca ouvi esse hino  na  minha igreja, foi  na  cruz...  Queria  contar  pra  alguem, mas  e melhor nao! Esquece o carinha alto, voçe vai apanhar do seu pai! Assim  minha tia  finalizou o assunto .
      O   moreno alto  , o beijo  roubado, sumiu! Segui alegre pra  casa  da  minha tia, achando que  ja  podia  namorar, ja  sabia  dar  beijos...E  agora, minha tia sabe do beijo! Minha   mae  vai  saber, vou  apanhar.  tava  eu  la  de novo, com  medo daquela  varinha ungida, a  famosa, que  mesmo  eu  depois   de grande,  continuava  encarando como  se fosse minha  maior  inimiga  na  terra.  Nao  sabia  eu, que  a  vida  me  preparava  muitas  varadas de  cipo, daquelas  de  deixar  vergoes e  cicatrizes , que ainda  doem  ao  lembrar...
      Entrei nos  meus  15 anos, trabalhando pra  ajudar  meus  pais, ajudando minha  mae, que  dara  a  luz a minha  irma  casula... Vida  dificil, sem Jesus  no coraçao,  meu pai bebia  muito antes  de  voltar  pra  casa...  Entre  presenciar  muitas  brigas dos  meus  pais,  eu  preferia, pegar  meus  irmaos, lequinho  e  dandinho, e  sair  correndo pra  chamar alguem, pra parar aquela briga...  Eu so queria  que  meus  irmaos  se  apaixonassem por  aquela  pedra,  ela era meu refugio pra nao escutar nada de brigas.....Eles  nao  viam   nada! Nada  interessava  pra  eles no  alto  daquele  morro...  Eles  foram  embora de novo e  me  deixaram  la  na  pedra, ate  que a  noite  veio, e dormi no calor da  mesma.  Acordei com  o velho gigante me  lambendo, dizendo que  era  hora de  ir  pra  casa,  meu  cachorro branco  viralata...Que me  avisava  sempre,   quando queria  agua  e  comida.
      Ja  em  casa, pai  e  mae  zangados, todo  silencio era  pouco, naquela  velha  casa  de pau-a-pique, pois em  meio a quatro comodos, tinhamos que sorrir com o olhar, num ar de   deboche, pois o pai e  mae, ja  estavam se  agarrando,otimo sinal... pra  fazer as  pazes... Era olhando pro  aquario, conversando com  os  peixes,vendo os irmaos  que ja dormindo, eu  ali vendo a  hora  passar, pra  ver  meu  sono  chegar, pra  poder  sonhar.... O meu sonho.... que fora embora e nunca mais voltou!

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